«O amor nunca faz reclamações; dá sempre. O amor tolera; jamais se irrita e nunca exerce vingança.»

(Indira Gandhi [1917-1984] – foi primeira-ministra da Índia entre 1966 e 1977 e entre 1980 e 1984)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 21 de abril de 2018

4º Domingo de Páscoa – Ano B – Homilia

Evangelho: João 10,11-18

Naquele tempo, disse Jesus:
11 «Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.
12 O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa.
13 Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas.
14 Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,
15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.
16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.
17 É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente.
18 Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; esta é a ordem que recebi do meu Pai».

ENZO BIANCHI
Monge, teólogo e biblista italiano
Fundador da Comunidade de Bose – Itália

JESUS, O PASTOR SANTO, BELO E BOM

Nos trechos do Evangelho que a Igreja (depois daqueles sobre as manifestações do Ressuscitado) nos propõe para o Tempo Pascal, sempre tirados do quarto Evangelho, é o Jesus Cristo ressuscitado que fala à sua comunidade, revelando sua identidade mais profunda, identidade que vem de Deus, seu Pai.

O Senhor vivo para sempre está mais do que nunca autorizado a se apresentar com o Nome próprio de Deus: “Eu sou” (Egó eimi – em grego). Quando Moisés pedira a Deus que lhe falava da sarça ardente para lhe revelar seu Nome, Deus respondera: “Eu sou” (Ex 3,14), Nome inefável, nome indizível inscrito no tetragrama YHWH.

O Cristo vivo se revela, portanto, como “Eu sou” e especifica: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35); “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12); “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10,7); “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11,25); “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6); “Eu sou a videira” (Jo 15, 5).

No nosso trecho, depois de ter se apresentado como a porta do redil, Jesus declara por duas vezes: “Eu sou o pastor bom e belo” (kalós – grego), resumindo em si a imagem de todos os pastores dados por Deus ao seu povo (Moisés, Davi, os profetas), mas também a imagem de Deus mesmo, invocado e louvado como “Pastor de Israel” (Sl 80,2), dos crentes nele.

Jesus tinha evocado várias vezes a imagem do pastor e do rebanho por ele apascentado (cf. Mt 9,36; 10,6; 15,24 etc.), mas agora, com essa revelação, ele fala de si mesmo, proclama-se Messias e Enviado por Deus para conduzir a humanidade à vida plena, tendo vindo “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

O bom pastor versus o pastor assalariado/funcionário

O bom pastor é o oposto do pastor assalariado, que faz esse ofício apenas por ser pago, que olha para a recompensa pelo trabalho, mas que, na verdade, não ama as ovelhas: estas não lhe pertencem, não são destinatárias do seu amor e não importam nada para ele. Prova disso é o fato de que, quando o lobo chega, ele abandona as ovelhas e foge: quer salvar a si mesmo, não as ovelhas que lhe são confiadas!

Quem é o pastor mercenário ou assalariado? É um funcionário, é aquele que cumpre a tarefa pelo salário que recebe ou simplesmente porque ser pastor é considerado uma honra que lhe provoca reconhecimento e também lhe dá glória. Mas é preciso dizer: o pastor assalariado é facilmente reconhecível no cotidiano, porque está longe das ovelhas e não as ama. Basta-lhe governá-las!

Pelo contrário, o amor do bom pastor pelas suas ovelhas provoca até que ele se exponha, deponha sua vida pela salvação delas. Ele não só gasta a sua vida estando no meio das ovelhas, guiando o rebanho, conduzindo-o a pastos onde ele possa se saciar; mas também pode acontecer que a ameaça à vida do rebanho se torne ameaça à própria vida do pastor. Este é o momento em que o bom pastor se revela.

Essa solidariedade, esse amor, porém, só são possíveis se o pastor não é apenas um assalariado, mas também se conhece as suas ovelhas com um conhecimento particular que o leva a discernir e a reconhecer a identidade de cada uma delas: um conhecimento penetrante que é gerado pela proximidade, pela assídua custódia do rebanho.

O bom pastor ser faz próximo

Sim, a primeira qualidade do pastor autêntico é a proximidade às ovelhas: ele está com elas noite e dia, nos desertos e nos prados, debaixo do sol e debaixo da chuva. O Papa Francisco falou de “proximidade da cozinha”, isto é, de estar lá onde “se cozinham” as coisas decisivas, aquelas que importam para cada ovelha, para cada rebanho; ele falou de um pastor que deve ter “o cheiro das ovelhas” sobre ele. Imagens fortes, que indicam a urgência de que os pastores não estejam acima nem às margens, mas “no meio”, em plena solidariedade com as ovelhas.

O bom pastor conhece e se deixa conhecer

Jesus tenta explicar essa comunhão recíproca evocando até mesmo o conhecimento entre ele e o Pai, que o enviou e do qual tenta realizar a vontade dia após dia: “Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai”.

Há, nessas palavras de Jesus, a essência do cuidado pastoral: um conhecimento penetrante recíproco entre pastor e ovelha. O pastor não só conhece as ovelhas uma a uma, em uma relação pessoal e em um vínculo de amor, mas também as ovelhas conhecem o pastor, sua vida, seu comportamento, seus sentimentos, suas ansiedades e suas alegrias.

Porque o pastor é seu vizinho, seu próximo. As ovelhas não conhecem apenas a voz do pastor que ouvem quando ele as chama, mas também conhecem sua presença, às vezes silenciosa, mas que sempre lhes dá segurança e paz.

Tal conhecimento-comunhão certamente é o mesmo vivido por Jesus nos seus dias terrenos, dentro de sua comunidade, com seus discípulos e suas discípulas; mas também é uma comunhão que transcende os tempos, pois será vivida na história entre o Ressuscitado e aqueles que ele atrair para si, chamando-os de outros redis.

Tendo vindo para todos, não só para Israel, e querendo levar a todos à plenitude da vida, Jesus é consumido pelo desejo de que haja um único rebanho sob um pastor e que todos os filhos de Deus dispersos sejam reunidos (cf. Jo 11,52). Precisamente no evento da cruz, se manifestará a glória de Jesus como glória de quem amou até a morte e, então, elevado da terra, ele atrairá todos para si (cf. Jo 12,32) e dará início à reunião dos povos ao seu redor, até o cumprimento escatológico [= do fim dos tempos], quando “o Cordeiro será seu pastor” (Ap 7,17).

Jesus não é um pastor como os pastores de Israel, mas, precisamente por ser “a luz do mundo” (Jo 8,12) e “o Salvador do mundo” (Jo 4,12) – tendo Deus amado o mundo (cf. Jo 3,16) –, ele também é o pastor de toda a humanidade, como Deus foi confessado e testemunhado.

Depois dessa autorrevelação, eis outras palavras com que Jesus expressa sua intimidade, sua comunhão com Deus: “É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente”.

Por que o Pai ama Jesus? Porque Jesus realiza sua vontade, aquela vontade que é amor até o dom da vida. Em Jesus, há esse amor “até o extremo” (em grego: eis télos: Jo 13,1), até o dom da vida, justamente, e há a fé de poder recebê-la novamente do Pai.

Preste-se atenção aqui à tradução, que pode comprometer o sentido das palavras de Jesus. Jesus não diz: “O Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois retomá-la novamente”, mas sim “para recebê-la novamente” (o verbo lambáno, no quarto Evangelho, sempre significa “receber”, não “retomar”). A oferta da vida por parte de Jesus está no espaço da fé, não da asseguração antecipada!

O mandamento do Pai é que ele gaste, ofereça a vida; e a promessa do Pai é de que, assim, ele poderá recebê-la, porque “quem perder sua vida a encontrará novamente, mas quem quiser salvá-la, a perderá” (cf. Mc 8,35 e par.; Jo 12,25). Ninguém tira a vida de Jesus, ninguém a rouba, e sua morte não é nem um destino (uma necessidade) nem um acaso (deu tudo errado...): não, trata-se de um dom feito na liberdade e por amor, um dom do qual ele foi consciente ao longo de toda a sua vida, dizendo todos os dias o seu “sim” ao amor.

Nas palavras de Jesus, o Pai aparece como a origem e o fim de toda a sua atividade: dele vem o mandamento, que nada mais é do que o mandamento de amar, vivido por Jesus na sua descendência como Palavra feita carne (cf. Jo 1,14) e na sua vida humana no mundo. E a morte de Jesus não é apenas o termo do êxodo deste mundo, mas é um ato consumado (“Está consumado!”: Jo 19,30), o termo último do fato de ele viver o amor ao extremo.

Jesus dá a sua vida até a morte, mas não com o desejo de recuperar a vida como prêmio, de retomá-la como um tesouro que lhe cabe ou como um mérito pela oferta de si mesmo, mas sim na consciência de que o Pai lhe dá e que ele a acolherá porque “o amor basta ao amor” (Bernardo de Claraval). Jesus não deu a vida por razões religiosas, sagradas, mistéricas, mas porque, quando amamos, somos capazes de dar aos amados a nós mesmos, tudo o que somos.

No túmulo de um cristão do fim do século II, um certo Abércio, lemos a seguinte inscrição: “Sou o discípulo de um pastor santo que tem olhos grandes; seu olhar alcança a todos”. Sim, Jesus é o pastor santo, bom e belo, com olhos grandes, que alcançam a todos, até a nós, hoje. E, por esses olhos, nos sentimos protegidos e guiados.

Traduzido do italiano por Moisés Sbardelotto.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Sexta-feira, 20 de abril de 2018 – Internet: clique aqui.

sábado, 14 de abril de 2018

3º Domingo de Páscoa – Ano B – Homilia

Evangelho: Lucas 24,35-48

Naquele tempo:
35 Os dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
36 Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: «A paz esteja convosco!».
37 Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma.
38 Mas Jesus disse: «Por que estais preocupados, e porque tendes dúvidas no coração?
39 Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho».
40 E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés.
41 Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: «Tendes aqui alguma coisa para comer?».
42 Deram-lhe um pedaço de peixe assado.
43 Ele o tomou e comeu diante deles.
44 Depois disse-lhes: «São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos».
45 Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras,
46 e lhes disse: «Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia
47 e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48 Vós sereis testemunhas de tudo isso».

PE. FRANCISCO CORNELIO F. RODRIGUES
Diocese de Mossoró - RN

COMO RECONHECER E TESTEMUNHAR JESUS

Neste terceiro domingo do tempo pascal, a liturgia oferece um texto de Lucas para o Evangelho, interrompendo uma sequência de leitura do Evangelho segundo João. O texto proposto para hoje é Lc 24,35-48, trecho que é a continuação e conclusão do episódio bastante conhecido dos “Discípulos de Emaús”. Esse dado é, por si, suficiente para nos situar já no seu contexto.

Cronologicamente, esse texto situa-se ainda naquele “primeiro dia da semana”, ou seja, o dia mesmo da ressurreição, marcado por tantas dúvidas, tensões e medos na comunidade, desde a visita das mulheres ao sepulcro, ainda de madrugada, até a caminhada triste dos dois discípulos para Emaús, e a manifestação do Senhor aos Onze [Apóstolos], como mostra o relato lido hoje.

É importante recordar que a preocupação do evangelista não é apenas narrar fatos, mas, através da sua narrativa, responder às perguntas da sua comunidade: se Jesus de Nazaré ressuscitou mesmo, onde e como encontrar-se com ele? Ora, a essência da pregação apostólica pós-pascal consistia nisso: “Jesus de Nazaré, morto crucificado, ressuscitou”; obviamente, muita gente questionava esse anúncio, pedindo provas, muitos queriam conhecê-lo e encontrar-se com ele.

Esses questionamentos continuam sendo feitos e os Evangelhos continuam dando as respostas. Lucas, de um modo particular, responde com mais precisão:
a) o Ressuscitado pode ser encontrado em qualquer situação e espaço,
b) ele está na estrada, caminhando com os peregrinos desiludidos (cf. 24,13-35),
c) está na mesa durante as refeições e
d) no meio da comunidade reunida.
e) Porém, para reconhecê-lo, é necessário compreender as Escrituras e ter abertos os olhos e a mente para a fé.

Olhemos então para o texto: “os dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão” (v. 35). O evangelista se refere aos dois discípulos de Emaús que retornaram a Jerusalém assim que reconheceram o Ressuscitado, após uma longa caminhada marcada pela tristeza e desilusão.

Ao afirmar que o Ressuscitado foi reconhecido ao partir o pão,
ensina o evangelista que ele está no cotidiano das pessoas, é alguém de casa,
faz parte da família e é acessível.

No encontro com os Onze, os dois que tinham retornado de Emaús relataram toda a experiência e “ainda estavam falando quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: ‘A paz esteja convosco!’” (v. 36). Ora, falar de Jesus é um modo de torná-lo presente; partilhar a experiência com ele é expandir a sua presença. Nesse sentido, a comunidade reunida, mesmo insegura, se torna o lugar privilegiado de encontro com o Ressuscitado, e o seu lugar é o centro; por isso, ele apareceu “no meio” deles. Ora, a comunidade não pode ter outro ponto de referência senão o Ressuscitado. A PAZ é oferecida como primeiro dom; não se trata de uma simples saudação ou um mero tranquilizante, mas de uma força reconciliadora e regeneradora.

Apesar das evidências da presença do Ressuscitado, o medo continuava, e isso impedia que os discípulos o reconhecessem: “imaginavam ver um fantasma” (cf. v. 37). O medo faz distorcer a imagem do Ressuscitado no meio da comunidade. De fantasma a juiz, o Ressuscitado pode ser confundido quando a comunidade não absorve a sua paz, nem compreende as Escrituras. Questionando a comunidade pelas dúvidas (cf. v. 38), Jesus ensina que só reconhece o Ressuscitado quem aceitar Jesus de Nazaré, crucificado e morto:vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo!” (v. 39). Obviamente, com “mãos e pés”, ele faz referência às marcas da paixão; aqui, o relato de Lucas se aproxima do joanino (cf. Jo 20,24-27), refletido no domingo passado, reforçando que as dúvidas de Tomé são, na verdade, de todos os discípulos.

O evangelista alerta que tanto o MEDO quanto a EUFORIA paralisam a comunidade e impedem sua experiência com o Ressuscitado:Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos” (v. 41a); é preciso buscar um equilíbrio de modo que o Ressuscitado não passe despercebido com sua identidade. É ele mesmo quem quer ser encontrado e reconhecido pela comunidade; por isso, pede algo para comer (cf. v. 41b). Além de evidenciar ainda mais a sua identidade de ser vivente, comendo ele reforça a comunhão com os discípulos.

Tendo ele mesmo pedido, “deram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele o tomou e comeu diante deles” (vv. 42-43). O Ressuscitado come o que lhe dão, e se solidariza com todos os famintos e necessitados de pão; esse é mais um dos significados oferecidos pelo evangelista, além da intenção de evidenciar que o Ressuscitado é uma pessoa viva e concreta. Além de querer provar a fé, Jesus quer também testar a capacidade de solidariedade para com os necessitados na sua comunidade. Mais tarde, quando começaram as perseguições, o cristianismo adotou o PEIXE também como um símbolo cristológico-eucarístico, pois do nome peixe em grego (ikthís) forma-se o acróstico: “Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador”, uma verdadeira profissão de fé.

No encontro com o Ressuscitado não podem faltar refeição e catequese,
partilha do pão e da palavra;
esses elementos são imprescindíveis na comunidade cristã.

Nesse episódio, há uma inversão na ordem: enquanto na cena dos “Discípulos de Emaús” a catequese precedeu a partilha do pão, aqui acontece o contrário, ou seja, a catequese vem depois da refeição. Assim, podemos concluir que o evangelista não preconiza um rito, mas oferece à comunidade quais são os seus elementos essenciais constitutivos: a partilha do pão e da Palavra.

A interpretação e compreensão adequadas das Escrituras são essenciais para a vida da comunidade. Essa é uma das principais preocupações de Lucas, ao longo das suas duas obras (Evangelho e Atos). Jesus é o intérprete e princípio interpretativo de toda a Bíblia. A Lucas, diferente de Mateus, por exemplo, não interessa colher citações avulsas, mas a Escritura em seu conjunto: Lei, Profetas e Salmos (v. 44). Desde o princípio, a Palavra de Deus revelada nas Escrituras aponta para o triunfo da vida e a derrocada de todos os projetos de morte. A ressurreição de Jesus é o ponto culminante dessa trajetória. Sem a Palavra, a comunidade perde o rumo da história.

Dos Discípulos de Emaús o evangelista diz que se abriram os olhos (cf. 24,31); dos Onze ele diz que “Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras” (v. 45). A tradução mais correta seria “abriu a mente”. Essa é também uma exigência para as comunidades de todos os tempos:

As Escrituras, se bem compreendidas, abre mentes, olhos e horizontes,
faz parte do processo de conversão contínuo pelo qual
deve passar toda comunidade cristã.

Um dos temas mais caros a Lucas, o universalismo da salvação, é evidenciado pelo próprio Ressuscitado: “no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém” (v. 46). Não apenas Israel, mas todos os povos são destinatários da paz e do amor do Ressuscitado. A reconciliação da humanidade com Deus é acessível a todas as pessoas, de todos os lugares e em todos os tempos; ninguém pode ser excluído dessa oferta de amor.

Surge, portanto, um novo tempo, uma nova etapa na história que começa por Jerusalém, mas não por privilégio, e sim por necessidade. Quanta reviravolta na história: a terra dos considerados justos é a mais necessitada de perdão! Foi Jerusalém com suas forças de poder que matou Jesus; o mal estava radicado lá e amparado pela religião. São as pessoas religiosas as primeiras necessitadas de conversão.

Dos discípulos e da comunidade cristã de todos os tempos, Jesus pede apenas uma coisa: Vós sereis testemunhas de tudo isso (v. 48). Em Lucas, Jesus não confere uma doutrina nem uma regra; não envia os discípulos como pregadores e batizadores, como em Mateus, mas como TESTEMUNHAS, o que é muito mais comprometedor e exigente. Ser testemunha (em grego: mártis) implica a coragem de dar a vida.

Somos, portanto, hoje e sempre, interpelados pelo evangelista Lucas a fazer um esforço constante para reconhecer o Ressuscitado em nosso meio, com disponibilidade para a partilha e mente aberta para o conhecimento das Escrituras. O critério de reconhecimento de uma comunidade que vive à luz do Ressuscitado é a disponibilidade dos seus membros para o testemunho.

Fonte: Jornal «O Mossoroense» – Artigos – Reflexão para o III Domingo de Páscoa – Sábado, 14 de abril de 2018 – 11h19 (Horário de Brasília – DF) – Internet: clique aqui.

Não sejamos ingênuos ! ! !

Privacidade de Zuckerberg vale mais do que a de
seus incautos usuários

Clóvis Rossi

O mundo inteiro, não apenas a América, está deixando de lado
o direito à intimidade
MARK ZUCKERBERG
Criador e principal acionista do Facebook é interrogado pelos Deputados e Senadores norte-americanos

O momento mais eloquente do depoimento de Mark Zuckerberg ao Congresso americano (terça-feira, 10) foi o seguinte diálogo entre ele e o senador democrata Dick Durbin.

Durbin: «Mr. Zuckerberg, o senhor se sentiria confortável em dividir conosco o nome do hotel em que se hospedou na noite passada?»

Zuckerberg (depois de uma pausa): «Hum..., não».

Seguiram-se risadas dos presentes até a nova pergunta de Durbin:

«Se o senhor enviou mensagens a alguém esta semana, o senhor compartilharia conosco os nomes das pessoas com as quais trocou mensagens?».

Zuckerberg: «Senador, não, eu provavelmente escolheria não tornar isso público aqui».

Moral da história, segundo Durbin: «Acho que é exatamente disso que se trata, de seu direito à privacidade, dos limites de seu direito à privacidade e quanto ele é deixado de lado na América moderna em nome de “conectar pessoas ao redor do mundo” [um dos slogans essenciais do Facebook de Zuckerberg]».

Se o senador tivesse dito que o mundo inteiro e não apenas a América está deixando de lado o direito à privacidade, estaria sendo ainda mais correto.
DICK DURBIN
Senador Democrata interrogando o criador do Facebook, Zuckerberg

O depoimento de Zuckerberg acaba sendo a aplicação prática do pré-histórico ditado que diz «faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço».

Ou, posto de outra forma: as redes sociais sabem muito bem quais hotéis seus usuários estão escolhendo, mas o criador da mais emblemática delas (o Facebook) não compartilha nem com senadores o nome do estabelecimento em que pernoita.

Acho que essa dualidade é que incomoda. Eu uso a internet para procurar hotéis para minhas ocasionais viagens. Imediatamente após a primeira busca, recebo uma porção de anúncios do hotel x ou y naquela cidade ou até em outras que jamais pensei em visitar.
É um jogo de mão dupla: abrir um pedaço (irrelevante, de resto) da minha privacidade em troca da facilidade de descobrir e reservar o hotel mais adequado às minhas necessidades.

O problema começa quando alguém ganha dinheiro — e muito dinheiro — ao avançar os limites do meu, do seu, do nosso direito à privacidade.

O problema fica ainda maior quando as empresas «mineradoras» de dados nas redes sociais os utilizam para personalizar a propaganda — política/eleitoral ou de outra natureza. Fica claro, pois, que é preciso de fato estabelecer regras, tal como Zuckerberg e os congressistas americanos concordaram em fazer.

Não há qualquer razão para que uma empresa de mídia, como o Facebook inegavelmente o é, não tenha que respeitar regras como o fazem as empresas tradicionais do ramo.

Fonte: Folha de S. Paulo – Colunistas – Quarta-feira, 11 de abril de 2018 – 12h26 (Horário de Brasília – DF) – Internet: clique aqui.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Papa lança novo documento


Luta contra injustiça é tão importante quanto
combate ao aborto, diz papa

Reinaldo José Lopes

Em documento, Francisco afirma que:
«Não podemos considerar um ideal de santidade que ignore
a injustiça deste mundo»
PAPA FRANCISCO assina a Exortação Apostólica "Gaudete Exsultate"

O papa Francisco disse nesta segunda-feira (9 de abril) que católicos não devem dar «importância excessiva» a algumas regras da Igreja, enquanto ignoram outras, pedindo que opositores do aborto demonstrem a mesma paixão pela vida dos pobres e oprimidos.

O papa fez o pedido em sua terceira EXORTAÇÃO APOSTÓLICA, um documento de 100 páginas chamado «Gaudete et Exsultate», no qual escreve sobre como as pessoas podem ser religiosas em um mundo moderno repleto de distrações seculares e materialismo.

No documento, o papa disse que católicos não devem relativizar diferentes aspectos dos ensinamentos sociais da Igreja, dando prioridade ou atenção total a uma única questão ética ou moral, enquanto menosprezam problemas sociais como a imigração.

«Nossa defesa do inocente não nascido, por exemplo, precisa ser clara, firme e passional, porque em risco está a dignidade de uma vida humana, que é sempre sagrada e exige amor para cada pessoa, independentemente de seu estágio de desenvolvimento», escreveu.

«Igualmente sagrada, entretanto, são as vidas dos pobres, aqueles já nascidos, dos necessitados, dos abandonados e dos desfavorecidos, dos enfermos vulneráveis e dos idosos expostos à eutanásia encoberta, das vítimas de tráfico humano, de novas formas de escravidão e de qualquer forma de rejeição.»

«Não podemos considerar um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns festejam, gastam alegremente e reduzem sua vida às novidades de consumo, ao mesmo tempo que outros apenas observam de fora, enquanto sua vida passa e se acaba miseravelmente», afirmou ele no documento.

No texto, o papa também fez uma defesa dos imigrantes e refugiados. «Se escuta com frequência que, ante o relativismo e dos limites do mundo atual, a situação dos migrantes seria um assunto menor. Alguns católicos afirmam que é um tema secundário ao lado dos temas “sérios” da bioética», disse ele, em uma resposta às críticas que recebe de que seu pontificado dá mais valor aos assuntos sociais que às questões éticas e morais.

«Que um político preocupado com seus êxitos diga algo assim é possível compreender; mas não um cristão, a quem só cabe a atitude de colocar-se no lugar deste irmão que arrisca sua vida para dar um futuro a seus filhos», afirmou o papa.

Leia, baixe e imprima este novo e importante
documento de Papa Francisco, clicando aqui

A Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate
do Papa Francisco

Os desafios de ser santo no mundo atual

Em sua Exortação Apostólica «Gaudete et Exsultate», o Papa dá indicações sobre como viver a santidade – um chamado que é para todos – em um mundo que apresenta tantos desafios à fé. Mas Francisco começa o documento, falando sobre o espírito de alegria.

Nós nos tornamos santos vivendo as bem-aventuranças, o caminho principal porque «contra a corrente» em relação à direção do mundo. O chamado à santidade é para todos, porque a Igreja sempre ensinou que é um chamado universal e possível a qualquer um, como demonstrado pelos muitos santos «da porta ao lado».

A vida de santidade está assim intimamente ligada à vida de misericórdia, «a chave para o céu».

Portanto, santo é aquele que sabe comover-se e mover-se para ajudar
os miseráveis e curar as misérias.

Quem esquiva-se das «elucubrações» de velhas heresias sempre atuais e quem, entre outras coisas, em um mundo «acelerado» e agressivo «é capaz de viver com alegria e senso de humor».

Não é um «tratado», mas um convite

É precisamente o espírito de alegria que o Papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua última Exortação Apostólica.

O título «Gaudete et Exsultate», «Alegrai-vos e exultai», repete as palavras que Jesus dirige «aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele».

Nos cinco capítulos e 44 páginas do documento, o Papa segue a linha de seu magistério mais profundo, a Igreja próxima à «carne de Cristo sofredor».

Os 177 parágrafos não são – adverte – «um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções», mas uma maneira de «fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade», indicando «os seus riscos, desafios e oportunidades» (n. 2).

A classe média da santidade

Antes de mostrar o que fazer para se tornar santos, o Papa Francisco se detém no primeiro capítulo sobre o «chamado à santidade» e reafirma: há um caminho de perfeição para cada um e não faz sentido desencorajar-se contemplando «modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis» ou procurando  «imitar algo que não foi pensado para ele» (n. 11).

«Os santos, que já chegaram à presença de Deus» nos «protegem, amparam e acompanham» (n. 4), afirma o Papa. Mas, acrescenta, a santidade a que Deus nos chama, irá crescendo com «pequenos gestos» (n. 16) cotidianos, tantas vezes testemunhados por «aqueles que vivem próximos de nós», a «classe média de santidade» (n. 7).


Razão como um Deus

No segundo capítulo, o Papa estigmatiza aqueles que define como «dois inimigos sutis da santidade», já várias vezes objeto de sua reflexão, entre outros, nas missas na capela Santa Marta, na Evangelii gaudium, bem como no recente documento da Doutrina da Fé, Placuit Deo.

Trata-se de «gnosticismo» e «pelagianismo», duas heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade (n. 35).

O gnosticismo – observa – é uma autocelebração de «uma mente sem encarnação, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclopédia de abstrações».

Para o Papa, trata-se de uma «vaidosa superficialidade», que pretende «reduzir o ensinamento de Jesus a uma lógica fria e dura que procura dominar tudo». E ao desencarnar o mistério, preferem – como disse em uma missa na Santa Marta – «um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo» (nn. 37-39).

Adoradores da vontade

O neo-pelagianismo é, segundo Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo. A ser objeto de adoração aqui não é mais a mente humana, mas o «esforço pessoal», uma vontade sem humildade que «sente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas» ou por ser fiel «a um certo estilo católico» (n. 49).

«A obsessão pela lei», «o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas», ou «a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja» são para o Papa, entre outros, alguns traços típicos de cristãos que «não se deixam guiar pelo Espírito no caminho do amor» (n. 57).

Francisco, por outro lado, lembra que é sempre o dom da graça que ultrapassa «as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana» (n. 54). Às vezes, constata, «complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema» (n. 59).

Oito caminhos de santidade

Além de todas as «teorias sobre o que é santidade», existem as Bem-aventuranças. Francisco coloca-as no centro do terceiro capítulo, afirmando que com este discurso Jesus «explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo» (n. 63).

O Papa as repassa uma a uma. Da pobreza de coração – que também significa austeridade da vida (n. 70) – ao reagir «com humilde mansidão» em um mundo onde se combate em todos os lugares (n. 74).

Da «coragem» de deixar-se «transpassar» pela dor dos outros e ter «compaixão» por eles – enquanto «o mundano ignora, olha para o lado» (nn. 75-76) – à sede de justiça.

«A realidade mostra-nos como é fácil entrar nas súcias da  corrupção, fazer parte desta política diária do “dou para que me deem”, onde tudo é negócio. E quantos sofrem por causa das injustiças, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida» (nn. 78-79).

Do «olhar e agir com misericórdia», o que significa ajudar os outros «e até mesmo perdoar» (nn. 81-82), «manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor» por Deus e ao próximo, isto é santidade (n. 86).

E finalmente, do «semear a paz» e «amizade social» com «serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza» – conscientes da dificuldade de lançar pontes entre pessoas diferentes (nn. 88-89) – ao aceitar também as perseguições, porque hoje a coerência às Bem-aventuranças «pode ser mal vista, suspeita, ridicularizada» e, no entanto, «não se pode esperar, para viver o Evangelho, que tudo à nossa volta seja favorável» (n. 91).

A grande regra do comportamento

Uma dessas bem-aventuranças, «Bem-aventurados os misericordiosos», contém para Francisco «a grande regra de comportamento» dos cristãos, aquela descrita por Mateus no capítulo 25 do «Juízo Final».

Esta página, reitera, demonstra que «ser santo não significa revirar os olhos num suposto êxtase» (n. 96), mas viver Deus por meio do amor aos últimos.

Infelizmente, observa o Papa, existem ideologias que «mutilam o Evangelho». Por um lado, cristãos sem um relacionamento com Deus, que transformam o cristianismo «numa espécie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante» vivida por São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá (nº 100).

Por outro, aqueles que «suspeitam do compromisso social dos outros», considerando-o como se fosse algo de superficial, mundano, secularizado, imanentista, «comunista ou populista», ou «o relativizam» em nome de uma determinada ética.

Aqui o Papa reafirma que “a defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada” (n. 101).

Mesmo a acolhida dos migrantes – que alguns católicos, observa, gostariam que fosse menos importante do que a bioética – é um dever de todo cristão, porque em todo estrangeiro existe Cristo, e «não se trata da invenção de um Papa, nem de um delírio passageiro» (n. 103).

«Gastar-se» nas obras de misericórdia

Assim, observou que «gozar a vida» como nos convida a fazer o «consumismo hedonista», é o oposto do desejar dar glórias a Deus, que pede para nos «gastarmos» nas obras de misericórdia (nn. 107-108).

No quarto capítulo, Francisco repassa as características «indispensáveis» para entender o estilo de vida da santidade:
* «perseverança, paciência e mansidão»,
* «alegria e senso de humor»,
* «audácia e fervor».

O caminho da santidade vivido como caminho «em comunidade» e «em constante oração», que chega à «contemplação», não entendida como «evasão que nega o mundo que nos rodeia» (nn. 110-152).

Luta vigilante e inteligente

E porque, prossegue, a vida cristã é uma luta «constante» contra a «mentalidade mundana» que «nos engana, atordoa e torna medíocres» (n. 159).

O Papa conclui no quinto capítulo convidando ao «combate» contra o «Maligno» que, escreve ele, não é «um mito», mas «um ser pessoal que nos atormenta» (n. 160-161).

«Quem não quiser reconhecê-lo, ver-se-á exposto ao fracasso ou à mediocridade». As suas maquinações, indica, devem ser contrastadas com a «vigilância», usando as «armas poderosas» da oração, a adoração eucarística, os Sacramentos e com uma vida permeada pela caridade (n. 162).

Importante, continua Francisco, é também o «discernimento», particularmente em uma época «que oferece enormes possibilidades de ação e distração» – das viagens, ao tempo livre, ao uso descontrolado da tecnologia – «que não deixam espaços vazios onde ressoa a voz de Deus». Francisco pede cuidados especiais para os jovens, muitas vezes «expostos a um constante zapping», em mundos virtuais distantes da realidade (n. 167).

"Não se faz discernimento para descobrir o que mais podemos derivar dessa vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a missão que nos foi confiada no Batismo." (174)

Fontes: Folha de S. Paulo – Mundo – Segunda-feira, 9 de abril de 2018 – 13h25 (Horário de Brasília – DF) –Internet: clique aqui; Vatican News – Papa – Segunda-feira, 9 de abril de 2018 – 12h00 (Horário Centro Europeu) – Internet: clique aqui.